Café...Tem uma coisa que me marcou muito e ainda hoje me marca. Ele já se foi, mas o costume permaneceu. Meus avós maternos tinham o costume de todos os dias depois do almoço tirar uma sonequinha. Era de lei, meu avô ia dormir, enquanto a minha avó finalmente ia descansar das atividades domésticas, era o tempo de ler o jornal, assistir a televisão. Quando dava três da tarde, ela se levantava e ia preparar a mesa para o café da tarde. Bolo quentinho saído do forno, o pão frequinho que vinha da padaria da esquina, geléia de morango e um café passadinho na hora. Com esse cheirinho gostoso, meu avô levantava da cama, lá pelas quatro da tarde e depois de uma passada pelo banheiro para pentear o cabelo com pasta d´agua e um banho de alfazema, ele se sentava na mesa. Café pretinho na xícara de vidro, sempre uma xícara e meia de café, acompanhado pelo bolinho gostoso e pão quentinho com manteiga. Todos os netos já sabiam do café da tarde, então sempre que aparecíamos para visitá-los a tarde, trazíamos algo para complementar o cafézinho. Meu avô já se foi, minha avó ficou firme, mas por um tempo o cafezinho da tarde foi abandonado. Depois de curadas as feridas, voltamos ao nosso hábito. Mesmo depois de casada, cultivo esse hábito, em qualquer lugar que eu estiver, sempre perto das quatro da tarde, eu sento para tomar o pretinho, às vezes acompanhado de alguma guloseima, às vezes puro. Tenho certeza que meu vô sempre me acompanha, todas as tardes, esteja onde estiver, no meu cafezinho da tarde. Seu cabelinho branco, suas risadas gostosas, seus conselhos, são coisas que volto a ver, a sentir, no meu cafezinho da tarde.
domingo, 11 de abril de 2010
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